Há 5 anos atrás eu estava passando por um momento de transição. Estava saindo do mercado publicitário e indo para o mercado de eventos. Essa mudança parece nem ser tão diferente de muitos profissionais de comunicação, mas para mim foi onde tudo mudou. Com essa mudança fui apresentado ao mundo do empreendedorismo e da inovação. “WOW” essa expressão reflete muito o que foi para mim conhecer aquele mundo.

Depois disso, cada vez mais fui atrás do assunto. Conheci muitas pessoas, empresas, startups e tudo que estava relacionado aquele mercado. Escrevi, cobri, fundei e trabalhei com startups e inovação por 5 anos, até que acabei voltando ao mercado publicitário. E a minha percepção é de que muito da velocidade que vi em 5 anos, parece não ter acontecido muitas coisas com a publicidade. Pelo contrário, em muitos casos, senti como se tivessem parado no tempo.

Essa percepção não é só minha, mas de muitos profissionais que estão dentro do mercado, mas também de muitas que estão de fora e sempre que procuram por agências, sentem que será o calcanhar de aquiles da sua operação. Mas será mesmo que startups são tão melhores que agências?

Nem tanto ao céu, nem tanto ao inferno

No meu ponto de vista a resposta é NÃO. São mercados diferentes, com focos diferentes, pretensões diferentes. Cada um com a sua singularidade. Mas vejo que as agências podem e devem começar a se organizar e trabalhar como e com startups. Não vivemos mais a era do “Mad Man” e não é tão glamouroso esse mercado, então é necessário se reinventar.

As agências perderam o seu diferencial ao longo dos anos, eram as agências as responsáveis por mostrar o que era tendência, a inovação e as melhores estratégias para as empresas. Hoje temos muitas consultorias e empresas de tecnologias que fazem este trabalho, com o adicional de conseguirem também prototipar e validar diversas ideias e produtos.

Pyr Marcondes da ProXXIma publicou ano passado um artigo sobre o futuro das agências de propaganda (leia aqui), nela é possível conferir as dificuldades levantadas pelas agências em continuar relevante, seja para o seu mercado, mas também para novos talentos. Não está fácil e a tendência é que tudo piore. Durante o GA Summit 2016, Bob Wollheim (Head of Digital do Grupo ABC) fala bastante sobre esta mudança do mercado, mas também que os profissionais precisam mudar este mindset (leia aqui).

A verdade é que o mercado publicitário está se enfraquecendo muito pelo seu próprio modelo, pela falta de diferenciais e inovação, mas também porque o comportamento dos profissionais é o mesmo de 50 anos atrás. Este é um dos pontos que acredito que startups se diferenciam das agências, o comportamento.

Comportamentos diferenciados

Existem 7 comportamentos que percebi ao longo da minha jornada dentro de startups, mas também observando outros times que acredito que podem ser levadas para agências. São elas:

  • Multidisciplinariedade : O profissional de hoje é muito específico. Não que isso seja algo ruim, mas é necessário que os profissionais tenham conhecimentos básicos em outras áreas correlacionadas. Não espero que um UX saiba programar, mas ele compreendendo os conceitos de front-end, será um trabalho melhor pensado.
  • Sem funções específicas: Não é que você não precise de uma função, mas acredito que todo time precisa se ajudar e trabalharem pelo objetivo. Até pode não ser minha função fazer uma pesquisa, mas posso auxiliar o responsável pela atividade. Ganhamos tempo e mais conhecimento.
  • Colaboração em todos os sentidos: Colaboração, acho que isso é uma das coisas que eu mais vejo dentro do mercado de inovação. Cada um do seu modo, mas em todos os casos, a colaboração existe.
  • Cada dia um desafio novo: Rotinas são necessárias, mas também é um tanto quando desmotivante para a maioria dos profissionais. Se não existe um desafio, você entra em modo automático e não cresce. É necessário que existam metas (condizentes) e que coisas novas sejam propostas.
  • Aprender algo novo todos os dias: O aprendizado constante é ótimo para exercitar a mente. Não precisa ser algo relacionado a sua atividade. Aprender algo sempre te ajuda a ter background e conhecimento para diversos clientes. Sou planner com pezinho em inovação, mas também tenho estudado sobre agrobusiness.
  • Sentimento de dono: Esse eu sei que é bem complicado, mas pense como o seu cliente. Qual é a melhor ação/opção para o seu cliente conseguir os objetivos dele? Pensou? Então por que não entregamos aquilo? Por que não defender essa ideia?
  • Realização com a entrega : Tenha tesão pelo o que você está fazendo. Aquele trabalho a ser colocado no portfólio e poder falar para todo mundo que você ajudou a fazer. Não só fazer para entregar, mas gostar do que está sendo entregue.

Resumo

Acredito que agências precisam mudar. Seu modelo de negócio, seu processo e relacionamentos (externos e internos). Essas mudanças são complicadas e ainda não existem respostas certas para essas perguntas. Mas precisamos, nós profissionais de publicidade e propaganda, começar a mudar também. Só assim conseguiremos olhar para o mercado e nos incomodar e fazer mais.

Observação: Este artigo foi criado a partir de uma palestra dada em Novembro de 2016. Provavelmente, alguma coisa no mercado, já tenha mudado. Assim espero.

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